Quando
falo que meus filhos jogam tênis, vários colegas comentam que tênis é esporte
de rico. A grande maioria dos projetos sociais voltados para o esporte é de
futebol. Então, chego à conclusão que existe esporte de rico e esporte de
pobre. E qual é o esporte para a classe média?
Muitas
vezes me pergunto: É possível, no Brasil, um filho de professor tornar-se
campeão de tênis? Ainda não tenho esta resposta, a única coisa que tenho
certeza é que é muiiiiiiiito difícil. Se formar um campeão de tênis em qualquer
lugar do mundo é difícil, imagine no Brasil e pertencendo a uma classe social
que não é totalmente desprovida de dinheiro, para se enquadrar nos “projetos
sociais”, nem que possui dinheiro suficiente para bancar todos os custos que a
preparação para este esporte exigem.
Então,
você pode me perguntar: Não seria mais fácil incentivar seus filhos a jogar
futebol? Na
verdade quando eles eram pequenos, coloquei os meninos numa escolinha de
futebol. Contudo o meu filho mais velho “amarelava” nas disputas de bola e o
mais novo chorava e não conseguia respirar quando perdia. Enfim, jogar futebol
nunca foi um prazer para eles.
Um
dia meu marido descobriu uma velha raquete de tênis guardada no armário e
resolveu lançar o desafio de quem conseguisse dar 300 toques no paredão
ganharia uma raquete nova. A partir daí o tênis passou a fazer parte das nossas
vidas. Foi também nesse momento que descobrimos que em nossa cidade não existia
estrutura pública para se jogar tênis. Passamos então a improvisar, com fita
adesiva, as marcações de tênis numa quadra poliesportiva de cimento em uma
praça próxima da nossa casa. A rede foi feita com uma antiga rede de pesca e a
estrutura móvel de um antigo portão de ferro. Mesmo assim os meninos queriam jogar cada vez
mais.
Um
dia os levamos para um evento no maracanãzinho, onde o Guga e outros tenistas
famosos trocaram bola com várias crianças, entre elas meus filhos.
Apesar da
raquete de alumínio e da pouca experiência no tênis, eles se sentiram os
próprios profissionais. Neste momento o tênis arrebatou de vez o coração dos
meninos.
O
próximo passo foi arranjar um professor de tênis. Passamos então a levá-los uma
vez por semana a Búzios (cidade vizinha a nossa) para ter aulas de tênis. Como
a professora foi aluna do meu marido, conseguimos um preço especial. Mas uma
hora de aula por semana era pouco, então nos tornamos sócios de um clube em
Cabo Frio, onde existia a única quadra de tênis da cidade que poderíamos ter
acesso (as outras ficam em condomínios fechados). Aí
eram tardes inteiras trocando bola.
Os
meninos foram crescendo e a vontade de jogar tênis não foi diminuindo, como eu
e meu marido esperávamos, pelo contrário passaram a aumentar o tempo em quadra.
Contudo não conseguiam jogar com outras pessoas, pois não existiam jovens que
jogassem tênis em nossa cidade e os mais velhos não queriam jogar com
“crianças”.
Foi
aí que um dia meu marido foi ao Fluminense, no Rio de Janeiro, e descobriu que
lá existia uma equipe de tênis. Conversou com o treinador responsável e levou
os meninos para um teste. Os meninos foram aprovados e passaram a ir uma vez
por semana ao Rio. Logo começaram a participar de torneios. Mas para participar
de torneios era necessária uma melhor preparação. Então, passaram a treinar com
um preparador físico todos os dias e fazer aulas de yoga.
Agora
me diz, com toda essa história e toda à vontade demonstrada por eles até aqui,
como podemos impedir que continuem sonhando? Lembrando uma frase do Raul
Seixas: “ Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se
sonha junto é realidade”. E
é justamente por isso que quero acreditar que é possível que dois professores
sejam capazes de formar dois campeões de tênis.


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